... para certas pessoas há "unhas partidas" que são grandes dramas, e que grandes dramas não passam de "unhas partidas" para outras.
Saturday Light Naive
Escrito aos Sábados. De uma forma leve e por vezes, propositadamente, ingénua. Porque amanhã não é outro dia, mas sim Sábado outra vez.
sábado, 5 de março de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
Primeiro dia do ano...
Um sem número de esperanças (re)nascem hoje.
Assim como o Natal é importante para que todos acordemos a consciência do quão importante é saber ser, saber dar e saber amar (nem que seja, para alguns, talvez a maior parte, só uma vez no ano), a Passagem de Ano é fulcral para o renovar de energias positivas e para acreditar.
Comemos as doze uvas passas em cima de uma cadeira, pedimos doze desejos, usamos cuecas azuis, levamos uma nota gorda no bolso, fazemos a cama com lençóis nunca antes usados, deitamos fora objectos velhos, brindamos, gritamos, lançamos foguetes ou batemos tampas de panelas. Tudo é válido para mentalizar o que de bom deverá chegar e afastar o que de mau já passou ou poderá vir.
Eu não faço nada disto, é um facto. Nem as uvas passas fazem parte da minha tradição, não porque não aprecie, mas porque gosto de sentir o momento e estar a fazer outras coisas desvirtua aquele ápice mágico. Guardo sempre as uvas na mão e petisco, lentamente, a seguir. Já no dia um de Janeiro, já com a sensação de renascimento e de “ano novo, vida nova”.
Acredito que, com ou sem superstições de passagem de ano, todos renovamos vontades nesta noite e ganhamos forças para os trezentos e sessenta e cinco/seis dias que se seguem.
Eu resolvi reconstruir as minhas prioridades, bem devagar, e procurar algo que raras vezes procuro: o sucesso. Faço sempre tudo por instinto e sigo, sempre que possível, a minha vontade e a minha intuição, mas não esquematizo nem programo nada. Hoje apetece-me fazer algo e faço. Amanhã já tenho desejo de outra coisa e assim oriento os meus esforços. Preciso, finalmente, de disciplina e ordem.
Não me iludo a crer que é possível termos sucesso em todas as áreas da nossa vida. Saúde, família, trabalho e amigos trazem-nos variáveis imensas que não podem ser abraçadas de uma só vez com êxito. Há sempre algo que temos tendência a descurar e, no meu caso, é a saúde e o meu bem-estar individual. Está errado, muito errado. Estou feliz se os meus amores também o estão, mas eles só poderão estar felizes se eu estiver bem, e tendo a esquecer isso.
Este ano de 2011 eu estarei primeiro (mentaliza, mentaliza, mentaliza) e vou guiar-me pelas balizas do que, para mim, é sucesso. Sim, porque o conceito de sucesso social poderá não ser o nosso, e se nos seguirmos por definições alheias poderemos estar a cair num destino que não nos realizará, somente aos que nos rodeiam. Quero ser/estar sã fisicamente e emocionalmente e quero ver a minha família crescer em número e em felicidade. Profissionalmente não aspiro retorno monetário chorudo, mas sim realização pessoal. O dinheiro é importante, mas não é tudo. Provavelmente a concepção de êxito da maioria de nós prender-se-á com os cifrões que ostentamos, eu, no entanto, não sigo esses parâmetros. E não, não estou a ser demagógica. É realmente a minha forma de ver a vida. O dinheiro é importantíssimo para ter estabilidade, para pôr comida na mesa, pagar a casa, dar a educação que desejamos aos nossos filhos e para termos alguns luxos que nos confortam e nos dão prazer. Para mim, por exemplo, poder viajar para algum sítio, uma vez por ano que seja, sair da rotina, é uma prioridade. Não preciso de ir para destinos exóticos, nem de estar fora de casa mais do que três ou quatro dias, mas preciso da força anímica que essa experiência me dá para prosseguir o meu dia-a-dia com um sorriso. Quero, por fim, continuar a dar-me como sempre fiz, mas inverter as prioridades. Tenho tendência para estar “ali” para os amigos e a pô-los em primeiro lugar que a mim própria. Passarei a estar “ali” como sempre, mas sem me prejudicar. Quem quiser entender e aceitar, óptimo, quem não quiser, paciência, talvez afinal não seja tão amigo assim. Alguns irão ressentir-se, mas espero que poucos ou nenhum se afaste por isso.
Agora, a questão que se impõe: serei eu capaz de levar a cabo todas estas minhas resoluções de ano novo? Se fizer delas certezas, e não “meras tenções”, tudo será muito mais fácil. Então… tenho a certeza que sim! Absoluta. E cá estarei daqui a um ano para, a mim mesma, o comprovar.
Feliz 2011!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Natal
E tudo começa assim: Sábado, dia de Natal.
Está frio lá fora, muito frio, aquele frio limpo que se entranha no corpo e chama a mim roupa quente, em camadas, que faz com que me sinta algo cebola, em tons de preto, vermelho e branco. Tecido sobre tecido, calor sobre calor, branco sobre vermelho, vermelho sobre preto. Gorro, luvas e cachecol a “fazer pendant”. Cliché natalício, sem pejos e pudores. Gosto. Gosto muito. Adoro.
Cá dentro lareira acesa, crepitar da lenha, pinhas quentes prontas a explodir pinhões, mesa recheada desde ontem, família que entra e sai a fazer horas para o almoço. Estou na aldeia de sempre, onde o Natal faz mais sentido, onde ontem os mais pequenos receberam presentes de um Pai Natal que bate à porta e pergunta se pode entrar, onde na ceia se celebra o ditado “das festas as vésperas” com intensidade, onde se degustam iguarias festivas horas e horas seguidas, onde hoje de manhã o Menino Jesus tinha deixado lembranças no sapatinho. As melhores, as mais importantes, as que realmente encheram as almas de sorrisos e esvaziaram os bolsos – contidos - de quem as dá. Na véspera o Pai Natal é simbólico, para as dezenas de familiares que se juntam. É assim desde sempre e é assim que deve ser. Importam os olhos que brilham e se alegram, as crianças que tremem de excitação, a companhia dos que amamos e que nos conhecem desde sempre. Estão lá aquelas pessoas que mais prezamos e que podem estar presentes fisicamente. Estão também aqueles que nos acompanham em alma, daquele plano onde o Natal ainda é mais Natal. A saudade bate forte, rola uma lágrima nostálgica e a recordação dos inesquecíveis momentos outrora vividos em conjunto vem à tona. Todos juntos estamos ali, a rir, a cantarolar e a recordar.
À minha volta ainda vejo restos de papel de embrulho aqui e acolá. Poucos, porque a maioria o fogo, que agora me aquece, devorou. Olho em redor para o sobreiro que é por tradição árvore de Natal, para o presépio cujas figurinhas conheço desde sempre, para o musgo transformado em planícies, montes e vales que o emoldura, para as velas acesas… e penso na sorte que tenho.
Percebi essa realidade afortunada durante a semana que antecedeu o Natal. Uma prima minha que está na Bélgica (que lutou para vencer a tempestade branca que deixou os espaços aéreos europeus fechados durante vários dias, e que desesperava só de imaginar que poderia ter que passar esta época de família sozinha num aeroporto qualquer) dizia pela internet o seguinte: “A neve chega-me quase ao joelho!”. Respondi-lhe sem pestanejar: “Antes a neve pelo joelho, que gente fria pelos cabelos.”. Estava tão farta da multidão anti-espírito-natalício, que todos os dias criticava esta época. Ou porque “as pessoas são materialistas”, ou porque “maldito Natal que está frio”, ou porque “nesta época as pessoas são todas falsas e hipócritas”, ou porque “sim”, ou porque “não”, ou “porque”, “porque”, “porque”. Mil e uma razões que não entendi, nem entendo. Apesar da revolta inicial perante a falta de capacidade de viver a alegria, sua ou de outros, comecei a perceber que a privilegiada sou, provavelmente, eu. Talvez, lá está, um pouco naif.
2010 foi, para mim, o que designo de “ano macaco”: um ano repleto de vivências menos fáceis, que me marcou muito pela negativa e que me ensinou e obrigou a crescer “à pressão”. Embora não sinta o espírito natalício ao rubro na pele, como costumo sentir, isso não me impede de andar com um sorriso tonto na cara. Continuo a dizer “oh, oh, oh” ao estilo Pai-Natal-da-Coca-Cola, a desejar Boas Festas a todos e a vibrar com as luzes, o frio e as cores da Natividade. E muito tenho que agradecer aos meus. Hoje tenho a certeza que fui criada num ambiente singular que me permitiu ser o que sou e como sou. E nada, mesmo nada, nada, nada, me vai fazer, agora, mudar.
Por isso, ingenuamente (ou não), para todos… um Feliz e Santo Natal. Hoje e sempre.
(escrito Sábado, dia 25 de Dezembro de 2010)
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